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Vinil
31/08/2018

CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL

Por: Angelo Campos

Creedence foi uma banda californiana formada por John Fogerty (guitarra e vocais), Tom Fogerty (guitarra), Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria). Num curtíssimo período, de 1968 a 1972, eles praticamente tocaram o céu, entre singles e álbuns conquistaram nove discos de ouro e sete de platina.

O grupo abraçou a vertente sulista do rock americano caracterizada pela batida folk/country, além do blues, e resgatou as raízes do rock n’roll com um estilo bem na contramão do que era feito na época. Longe dos experimentalismos e produções cada vez mais rebuscadas, apostaram numa música simples e direta, porém carregada de qualidades.

No começo, chamavam-se Tommy Fogerty and The Blue Velvets, assinaram um contrato com a Fantasy Records, em 1964, e o diretor da gravadora trocou o nome para The Golliwogs. Tom e John dividiam as composições e os vocais nos primeiros anos, quando lançaram apenas compactos (singles). John se revelou um talentoso compositor e é dono de uma voz expressiva, então tomou a frente definindo um novo estilo –  agora a banda se chamaria Creedence Clearwater Revival.

Em julho de 1968 saiu o primeiro LP (long play), com título homônimo, que deu ao grupo um disco de ouro. Também foram lançados os compactos Suzie Q (partes 1 e 2) e I Put a Spell on You / Walk on the Water. O segundo álbum, Bayou Country, saiu em janeiro de 1969 conquistando um disco de platina, e a música Proud Mary tomou a programação das rádios alçando-os ao olimpo do rock – ela foi regravada por Elvis Presley e Ike and Tina Turner.

O LP Green River, lançado no mesmo ano, também foi disco de platina, e o compacto com Down on the Corner / Fortunate Son foi o quarto disco de ouro. John, que serviu o exército, compôs Fortunate Son como um protesto contra a guerra do Vietnã e o alistamento militar obrigatório. Na música, o autor diz que não é filho de senador e nem de pai rico, portanto é ele que deve morrer para defender a pátria.

Depois de receber platina pelo álbum Willy and the Poor Boys, os rapazes participaram do festival de Woodstock, mas não autorizaram sua inclusão no filme e no disco, porque não gostaram da apresentação (um vídeo lançado décadas depois mostrou que foram muito exigentes). O single Who’ll Stop the Rain é uma inspiração que John teve no evento. Chovia torrencialmente e parte do público dançava enquanto outros tentavam se proteger; então ele fez um paralelo com as chuvas de Napalm e de Agente Laranja que os soldados americanos despejavam sobre a população e os campos do Vietnã (80 milhões de litros de herbicida desfolhante).

Com mais um disco de ouro pelo compacto Up Around the Bend / Run Through the Jungle, quem poderia parar o Creedence? Eles criaram uma sequência de verdadeiras jóias do rock, chegando a rivalizar com os Beatles, alternando o topo das paradas nos EUA e na Inglaterra.

O álbum Cosmo’s Factory foi produzido por John Fogerty (em julho de 1970) e gravado sem efeitos, sem vocais elaborados nem participações especiais, mas com uma originalidade que encantava público e crítica. Vendeu mais de três milhões de cópias e é digno de estar em qualquer coletânea dos maiores momentos do rock e do pop.

Em seguida, veio uma sequência de prêmios com os compactos Lookin’out my Back Door / Long as I Can See the Light e Have you Ever Seen the Rain / Hey Tonight, além do sexto álbum, Pendulum.

O ambiente no grupo porém já não era dos melhores: Tom, Doug e Stu não concordavam em ser apenas uma banda de apoio para John. Em 1971, Tom Fogerty rompeu com o irmão e partiu para carreira solo. Os outros decidiram continuar como um trio, começando uma turnê pelos EUA e logo em seguida pela Europa. Lançaram o 11º compacto, Sweet Hitch-Hicker / Door to Door, que atingiu o topo das paradas.

O último álbum, Mardi Gras, saiu em abril de 1972 e veio com uma bela capa, porém não trazia a mesma qualidade dos anteriores. Com a autoria das canções sendo dividida entre os componentes, a obra mostrou que eles estavam à beira da dissolução, fato que a gravadora anunciou no final do ano.

Eles acabaram brigados, e assim estão até hoje, mas apesar disso todos participaram da gravação do álbum solo de Tom Fogerty, Zephyr National, lançado em 1974. Tom fez outros discos sem muito sucesso e morreu em 1990, depois de contrair o vírus HIV em uma cirurgia.

Os rapazes reuniram-se eventualmente, em 1995, para aparições em alguns festivais. Stu Cook e Doug Clifford montaram uma banda chamada Creedence Clearwater Revisited, apresentando-se com o repertório do antigo grupo. Em 2006 fizeram uma turnê pelo Brasil, retornando em 2011.

A carreira solo de John Fogerty foi cheia de percalços. Ele devia alguns álbuns para a gravadora, mas recusou-se a trabalhar para o selo – o contrato era péssimo –, então enfrentou um grande impasse. Em seus shows, não tocava as músicas do Creedence para não ter de pagar direitos autorais por suas próprias composições, e chegou a ser processado por auto plágio na canção The Old Man Down the Road, mas ganhou a causa.

Em 1998 ele fez o ótimo Premonition, seu primeiro disco ao vivo (lançado também em DVD), conta com um repertório da carreira solo e também do Creedence. Sua voz inconfundível continua preenchendo teatros e estádios, muitas vezes em companhia de músicos famosos que começaram a carreira há poucos anos. Apresentou-se no Brasil em maio de 2011, passando por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde simplesmente estraçalhou na guitarra e nos vocais, provocou lágrimas e brincou com a plateia.

Agora é só curtir a playlist especial que criamos no Spotify, clicando aqui.