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O jeito Prefácio
27/07/2018

JAMES BROWN

James Joseph Brown Jr. nasceu em Barnwell, na Carolina do Sul, Estados Unidos, em 3 de maio de 1933. Considerado o Padrinho do Soul e o Pai do Funk, começou sua carreira na década de 1950, na Georgia, celeiro de músicos inovadores. Também conhecido como Mr. Dynamite, era de uma família muito pobre, e teve as ruas como sua professora; para sobreviver, recolhia restos de carvão que caíam dos trens e sobras de comida dos cestos de lixo.

Desempenhou todo tipo de trabalho, no campo e na cidade, depois passou a cantar e dançar em busca de mais uns trocados. A vida na rua ensinou também um outro lado, quando, aos dezesseis anos, foi preso por assalto. Na prisão tornou-se evangélico e entrou na banda de soul The Famous Flames – depois migrou do gospel para o blues.

As primeiras composições de Brown foram influenciadas pelo trabalho de músicos como Ray Charles e Little Richard. Quando Richard deixou o rock n’roll em 1957 para se tornar pregador, Brown o substituiu nos compromissos restantes, inclusive usando seus músicos como banda de apoio. Sua canção Please, Please, Please chegou ao sexto lugar nas listas dos discos de blues, vendendo quase um milhão de cópias, mas ele ficou mundialmente famoso só em 1963, com o álbum Live at Apollo.

Preocupado com o quadro de desalento por parte dos jovens negros em relação ao futuro, ele compôs o single Don’t Be a Drop-Out como uma lição para estudantes que tinham a intenção de abandonar a escola. Em 1968 se apresentou em Boston um dia após a morte de Martin Luther King, evitando uma provável revolta na cidade. Após isso, o presidente Lyndon Johnson solicitou sua visita a Washington para um concerto beneficente e para deixar uma mensagem de otimismo contra a violência.

O hit Say It Loud, I’m Black and I’m Proud (Diga Alto, Sou Negro e Tenho Orgulho) se tornou relevante para os movimentos dos direitos civis, ao mesmo tempo sofreu censura de várias emissoras de rádio norte-americanas. Nos anos 1970, ele criou uma fileira de sucessos como Sex Machine, que chegou ao primeiro lugar nas rádios e nas lojas; The Payback levou disco de platina em 1974, além de Papa’s Got a Brand New Bag, It’s a Man’s Man’s Man’s World, Cold Sweat e Super Bad, entre tantos.

Ele comprou várias estações de rádio, incluindo uma em Augusta (Georgia), onde engraxava sapatos quando criança. Fanático por trabalho, foi um dos primeiros artistas a se dar conta de que devia controlar todo o processo de produção de shows e discos, e criou um marketing próprio para sua imagem de fauno rebelde das pistas.

Suas apresentações eram famosas pela intensidade e duração, seu objetivo era “dar às pessoas mais do que elas vieram buscar”. Ele dançava vigorosamente enquanto cantava, além disso, os músicos e cantores de apoio tinham suas coreografias – Brown lhes impunha uma disciplina de ferro para que nada saísse errado. Os vocais frequentemente tomavam a forma de uma declamação rítmica, nem totalmente cantada nem totalmente falada. Isto se tornaria uma grande influência na maneira de fazer rap nas décadas seguintes.

Os anos 1980 e 1990 revelaram sua influência em projetos de rap e hip-hop, com a utilização de sua música em temas de batidas, ritmos e sons. Além de escrever vários sucessos em diferentes gêneros musicais como rock, jazz, reggae, disco e hip-hop, ele também compôs para outras bandas e cantores, e está presente na música e na dança de Michael Jackson e de Prince.

Brown assumiu causas políticas e sociais, mas sua vida pessoal foi recheada de dissabores. No final dos anos 1980 foi detido por posse de drogas, depois de uma perseguição da polícia, e foi condenado a seis anos de prisão. Libertado por bom comportamento em 1991, voltou a ser detido em 1995 por violência doméstica. Desde então, passou a realizar trabalhos filantrópicos, como uma fundação para os meninos de rua da Georgia: “Acho que não há cara mais preparado para esse trabalho do que eu, vivi o que essas crianças estão vivendo e quero prepará-las para terem orgulho de serem o que são”, disse.

O cantor esteve três vezes no Brasil, onde fez amizade com o disk jóquei Big Boy, que havia lançado a onda do funk no rádio e nas danceterias. A primeira vez foi em março de 1973, quando fez dois shows no Teatro Municipal de São Paulo e outros dois no Canecão, Rio de Janeiro. Retornou em 1988 e, em 1994, fez quatro megashows durante o Free Jazz Festival.

A Universal Pictures filmou Get on Up, uma biografia lançada em 2014. O filme foi dirigido por Tate Taylor, conhecido por Histórias Cruzadas, e teve Mick Jagger como um dos produtores – mas não foi bem recebido pela crítica.

Suas últimas aparições em público foram no festival Foggfest em São Francisco, em agosto de 2006, e na cerimônia no Alexandra Palace, em Londres, com sua entrada para o Hall da Fama do Reino Unido. Nos deixou em 25 de novembro de 2006, com 73 anos, abatido por uma pneumonia, o Padrinho do Soul, o Senhor Dinamite, o inigualável James Brown.

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