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Vinil
23/04/2016

Nara Leão

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Nara Lofego Leão nasceu em Vitória/ES, em 19 de janeiro de 1942, era filha do casal Jairo e Altina Leão. Mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha apenas um ano de idade, com os pais e a irmã, a jornalista Danuza Leão.

Durante a infância, Nara teve aulas de violão com Solon Ayala e Patrício Teixeira, ex-integrante do grupo Os Oito Batutas de Pixinguinha. A Bossa Nova nasceu em 1957 em reuniões no apartamento dos pais de Nara, das quais participavam nomes que seriam consagrados, como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli. Em novembro de 1959, ela estreou como cantora participando do show Segundo Comando da Operação Bossa Nova.

A estreia profissional se deu ao lado de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, na comédia Pobre Menina Rica (1963), e lançou seu primeiro disco, Nara, no ano seguinte, quando foi considerada uma das melhores vozes do país. A consagração ocorre após o golpe militar de 1964, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Vale e Zé Keti, com críticas à repressão imposta pelo regime militar.

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O título de Musa da Bossa Nova foi a ela creditado pelo cronista Sérgio Porto, além de ter o joelho considerado o mais bonito e charmoso da MPB.

Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico Buarque, no Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), que ganhou o primeiro prêmio e o público, numa época em que as vaias eram presença constante. Havia algumas “correntes” no cenário musical, da turma engajada politicamente e que defendia nossas tradições (MPB) e a turma antenada com o que acontecia lá fora e era influenciada pelo rock e o pop (Jovem Guarda). Nara, que passou pela Bossa Nova, pelo samba e se envolveria depois com a turma mais revolucionária estética e musicalmente (Tropicália), não aceitava imposições de que lado fosse, transitando livremente entre todos os gêneros e estilos.

Nara se casou com o cineasta moçambicano radicado no Brasil, Ruy Guerra; separaram-se e, depois, ela se casaria novamente com outro cineasta, Cacá Diegues.

Ela participou do disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circensis – lançado em 1968 – acompanhada por nomes que estavam despontando no novo cenário como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Gal Costa, Mutantes e o maestro/mago Rogério Duprat.

Em 1969, Nara diminui seus shows no Brasil, pois se vê ameaçada, o governo estava enquadrando e deportando alguns artistas. Resolveu ir para Londres e começou uma série de apresentações por toda a Europa, fixando residência em Paris onde nasceu sua filha Isabel e, sete meses depois, outro bebê já estava a caminho.

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Em 1972, ela volta para o Brasil e retorna às gravações, além de fazer um dos papéis principais no filme de Cacá Diegues, Quando o Carnaval Chegar – ao lado de Chico Buarque e Maria Bethânia.

Em 1974, passou vestibular para Psicologia e diminuiu seu ritmo de trabalho passando a se dedicar aos filhos, mas, grava outro disco de sucesso em 1975, que lhe proporcionou o troféu de Melhor Cantora do Ano.

Nara e Cacá rompem relações e, em 1977, ela volta com força total lançando discos, viajando pelo Brasil, participando de espetáculos, escrevendo e compondo suas próprias músicas; além de fazer um álbum só com canções de Roberto Carlos e participando do álbum infantil Os Saltimbancos, de Chico Buarque. Em 1979, ela sente-se mal com dores de cabeça e desmaios, apesar do emocional abalado não deixou-se entregar à depressão.

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Nos anos 1980, viajou para o Japão e passou a fazer shows sozinha com seu violão, participou de eventos públicos a favor das eleições diretas.

Em 1986, ela passa a maior parte do ano em repouso aos cuidados família. Teve uma melhora e voltou a fazer shows em casas noturnas do Rio, muitos deles em companhia de seu ex-namorado Roberto Menescal. Em 1989, teve uma hemorragia fatal no dia 7 de junho. Seu último álbum foi My foolish heart, onde interpreta clássicos americanos.

Em 2002, seus discos foram relançados em duas caixas separadas – cobrindo os períodos de 1964-1975 e de 1977-1989. Em 2007, graças a uma ideia de Nelson Motta, a cantora Fernanda Takai (da banda Pato Fu) gravou o disco Onde Brilhem os Olhos Seus, com canções típicas do repertório de Nara Leão, em forma de homenagem.