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Vinil
09/03/2018

Nina Simone: história de luta e superação.

Eunice Kathleen Waymon, mais conhecida como Nina Simone, nasceu em Tryon, Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Foi pianista, cantora, compositora e ativista pelos direitos civis. É mais conhecida nos meios musicais do jazz, mas trabalhou com diversos estilos como música clássica, blues, folk, R&B, gospel e pop.

Aos três anos de idade, começou a tocar piano e seu talento com o instrumento levou-a a se apresentar na igreja local, mas o seu concerto de estreia, um recital clássico, foi dado aos 12 anos. Durante essa apresentação seus pais sentaram-se na fileira da frente, mas foram forçados a ir para trás do hall para abrir espaço para as pessoas de pele branca. Simone se recusou a tocar até que os seus pais retornassem à primeira fila.

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Foi para Atlantic City, após ter sua matrícula recusada pelo Instituto de Música Curtis e, trabalhando como pianista em um bar, cedeu aos apelos do dono para cantar. Em 1954, ela adotou um nome artístico para que pudesse trabalhar escondida de seus pais: Nina, porque um namorado porto-riquenho a chamava de menina em espanhol (niña), e Simone, porque era fã da atriz francesa Simone Signoret.

Gravou o dueto I Loves You, Porgy (da ópera Porgy and Bess), de George Gershwin, alcançando o top 20 da Billboard, e o seu álbum de estreia Little Girl Blue foi lançado pela Bethlehem Records. Depois ela assinou um contrato com a Colpix Records, onde gravou diversos discos.

Simone casou-se em 1961, com Andrew Stroud, um detetive da polícia de Nova York, com quem teve sua única filha, Lisa Simone. Ele cuidou da organização de sua carreira, mas, devido aos constantes espancamentos que ela sofria por parte dele, separaram após nove anos, embora ele continuasse sendo seu empresário.

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Ela foi para a gravadora holandesa Philips, o que também significou uma mudança no conteúdo das gravações. Ela compôs a canção Mississippi Goddamn, que tornou-se um hino ativista da causa negra, e fala sobre o assassinato de crianças em uma igreja de Birmingham, no estado do Alabama, por membros da Ku-Klux-Klan. A partir daí, ela passou a defender uma revolução violenta por parte da população negra – contrastando com a abordagem de Martin Luther King –, mesmo que acreditasse na igualdade das raças. Seu humor tornou-se instável, e frequentemente tinha atrito com o público, seja lá qual fosse motivo.

Gravou o poema Images, de William Waring Cuney, no álbum Let It All Out, sobre a falta do senso de orgulho entre as mulheres afro-americanas. Escreveu Four Women, uma canção sobre quatro estereótipos diferentes de mulheres negras, em seu disco Wild is the Wind. Ela se mudou para a RCA Victor e fez Nina Simone Sings the Blues, depois, o álbum Nuff Said!, que contém gravações ao vivo de 7 de abril de 1968, três dias após a morte de Martin Luther King.

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Como muitos ativistas dos direitos civis estavam sendo assassinados, ela teve que deixar os Estados Unidos, em 1970, e foi morar em Barbados. Mudou-se para a Libéria, onde se sentiu em casa, no entanto abandonou seu trabalho e passou por momentos difíceis pois seu empresário não lhe enviava nenhum recurso, e descobriu que perdeu alguns imóveis por sonegação de impostos. Retornou para pegar sua filha, mas ela entrou em um forte processo de depressão e passou a maltratar a menina, que pediu para voltar para o pai.

Então Simone foi para a Suiça, vivendo sozinha e em péssimas condições, passou pela Holanda antes de se estabelecer na França, em 1992. Sem trabalho e doente, alguns amigos a resgataram e lhe impuseram um tratamento para que voltasse à vida artística. Assim, ela foi se recuperando e aos poucos voltando seu brilho, cantando e tocando melhor do que antes. Usando seu conhecimento do clássico, chegou a tal ponto da perfeição, que tocava uma música enquanto cantava outra – isso foi uma influência para o astro do jazz Miles Davis.

Em 1974, gravou o seu último disco pela RCA, It Is Finished. Quatro anos depois, ela entrou nos estúdios da CTI Records para fazer o álbum Baltimore, lançou Fodder on My Wings por uma gravadora francesa. Durante a década de 1980, ela se apresentou com regularidade no Ronnie Scott’s Jazz Club, em Londres, quando fez um disco ao vivo. Veio ao Brasil em 1985, para um festival de jazz no Rio de Janeiro, onde mostrou estar mais paciente com o público e contando casos relacionados à sua carreira.

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Em 1987, a gravação de My Baby Just Cares for Me, de 1958, foi usada em um comercial do perfume Chanel Nº 5. Isso acarretou um relançamento da gravação, que estourou na quarta posição da parada do Reino Unido, dando-lhe um breve ressurgimento à fama. Na segunda vez que esteve no Brasil, gravou Pronta Pra Cantar (Ready to Sing) com Maria Bethânia. Sua autobiografia, I Put a Spell on You, foi publicada em 1992, e, um ano depois, o seu último álbum: A Single Woman.

Vivendo sozinha numa mansão no sul da França, descobriu estar com um avançado câncer de mama, com o qual lutou durante dez anos. Faleceu dormindo em sua residência na cidade de Carry-le-Rouet, em 21 de abril de 2003. Sua saúde já estava debilitada há bastante tempo, diagnosticada com transtorno bipolar e sintomas de depressão, que a acompanhava desde a adolescência. O documentário What happened, Miss Simone?, veiculado pela Netflix, retrata bem os dramas e a glória de uma das maiores damas do jazz.

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