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Vinil
22/02/2018

O Beatle John Lennon – Vinil

John Winston Lennon nasceu em Liverpool em nove de outubro de 1940. Foi um dos fundadores do grupo inglês The Beatles e, junto com Paul McCartney, formou a maior dupla de compositores da história do rock e do pop.

Seu pai, Alfred Lennon, trabalhava na marinha mercante durante a Segunda Guerra e desapareceu por um longo período. Sua mãe, Julia Lennon, foi morar com outro homem, fazendo sua irmã, Mimi, praticamente tomar John de suas mãos, pois não considerava o ambiente bom para o garoto. John se reaproximou de sua mãe quando tinha 17 anos, mas por pouco tempo: ela morreu atropelada por um policial bêbado. A partir daí, tornou-se um rapaz problemático, sempre se envolvendo em brigas.

Estudou na Quarry Bank Grammar School, onde se destacava por seus desenhos e brincadeiras. Sua mãe ensinou-o a tocar banjo e, em 1956, ele fundou uma banda de skiffle chamada The Quarrymen. Conheceu Paul McCartney e o convidou para entrar no grupo.  Um ano depois, Paul convidou seu amigo George Harrison para fazer parte do grupo. Estava formado o núcleo dos Beatles. Quatro anos depois, a banda trocou o nome para The Beetles (Os Besouros), mas John tirou um “e” e acrescentou o “a”, criando um trocadilho com “batida” (beat).

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Allan Williams, um empresário local, estava levando bandas para tocar em Hamburgo (Alemanha), e os meninos embarcaram nessa. Dormiam em condições precárias e tocavam até oito horas por dia, mas acabaram deportados porque houve uma denúncia de que George era menor de idade. Voltaram para Liverpool e se tornaram atração do Cavern Club, despertando o interesse de Brian Epstein, proprietário de uma grande loja de discos, que se ofereceu para se tornar o empresário da banda.

A vida deles mudou radicalmente: Epstein propôs que largassem suas roupas de couro preto e passassem a usar ternos, além de mudar o comportamento em suas apresentações, abandonando o hábito de comer, beber ou brigar no palco. Eles tinham adotado um corte de cabelo usado por amigos estudantes alemães, só que foram deixando crescer, o que acabaria virando moda em todo o mundo. Nesse período, outros dois colegas faziam parte da banda: Pete Best (que foi baterista por dois anos) e Stu Sutcliffe (baixista que não sabia tocar e só entrou por insistência de John, seu amigo da escola de artes).

Partiram para Londres no intuito de conseguir um contrato com a Decca Records, mas foram descartados (“Bandas de guitarra estão fora de moda, Mr. Epstein”, disse o representante da gravadora); no entanto fizeram um acordo com a Parlophone (EMI). George Martin, produtor musical, pediu a troca do baterista e eles convidaram Ringo Starr, um amigo que tocava com o grupo Rory Storm and the Hurricanes.

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No final de 1962, lançaram a canção Love me do e, em apenas um dia, gravaram o álbum Please Please Me. Eles estouraram na Inglaterra e toda a Europa, com o posterior sucesso nos Estados Unidos, iniciava-se a beatlemania. No princípio, suas canções abordavam quase que somente o amor juvenil, temperado com uma dose de picardia em algumas músicas. Depois de um encontro que tiveram com Bob Dylan, eles mudaram o foco de suas letras e John se sentiu mais à vontade para escrever como fazia nos livros que publicava.

Lennon era irrequieto e, desrespeitando as normas impostas pelo seu contrato, não se eximia de dar declarações polêmicas. Por essas e outras, apesar da fama de bonzinhos, os Beatles receberam ameaças de morte inclusive da Ku Klux Klan, por John ter dito que eles eram mais populares que Jesus Cristo, numa época em que as igrejas da Europa viviam às moscas. Também quase foram linchados nas Filipinas, por faltarem a um almoço com o ditador Ferdinand Marcos e sua esposa Imelda. Um clima de incerteza se instalou e a gravadora temia que algo trágico acontecesse, cogitando até cancelar algumas turnês, principalmente nos EUA.

Em 1969, John devolveu a medalha da Ordem do Império Britânico – que o grupo havia recebido em 1966 – à Rainha Elizabeth, em protesto contra o apoio à Guerra do Vietnã e o envolvimento da Inglaterra no conflito da Biafra. Quando ele se mudou para os EUA, passou a ser seguido pelo FBI devido à campanha pela paz que ele e sua esposa Yoko imprimiram; depois sofreu um processo de deportação que só terminou em 1975, com a saída do presidente Nixon.

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Curioso é que, quando era chamado de palhaço em manifestações ao lado de sua esposa, ele dizia que preferia ser o “palhaço do mundo” a um rei, pois este costuma ser morto por seus súditos.

John se casou com Cynthia Powell e tiveram o filho, Julian, para quem Paul McCartney compôs Hey Jude, quando o casal se separou. Em 1968, John uniu-se à artista de vanguarda Yoko Ono e passou a levá-la aos ensaios da banda; como o clima entre eles não estava dos melhores, a situação só piorou. Parte da imprensa e os fãs chamavam Yoko de bruxa, o que fez com que John declarasse que se os Beatles ainda o queriam, teria de ser daquela maneira. George Harrison já pensava em sair, insatisfeito com o pouco espaço que tinha nos discos; enquanto Paul McCartney botava panos quentes adiando a separação, que ocorreu depois do lançamento do álbum Let It Be, em 1970.

O disco mais aclamado de John foi Imagine, e a faixa-título tornou-se um hino à paz; resultado do trabalho de um artista que priorizava em seus primeiros álbuns canções de postura feminista, anti-racial e em defesa de causas civis.

John e Yoko foram crianças da guerra. Enquanto ele nasceu sob um bombardeio nazista, cinco anos depois ela caçava restos de comida nos escombros de uma Tóquio, destruída pela força aérea americana. Tiveram o filho Sean, em 1975, que também se tornaria músico (ele fez a programação visual do álbum Tecnicolor, do grupo brasileiro Os Mutantes). John abandonou a carreira para dedicar-se ao garoto, em parte para compensar sua ausência em relação a Julian, quando os Beatles viviam na estrada.

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 Após cinco anos fazendo pão em casa, ele voltou a gravar com Yoko, o disco Double Fantasy. Quando Paul o parabenizou pelo sucesso do disco, ele respondeu: “Essa dona de casa quer voltar a fazer música!”. Na noite de 8 de dezembro do mesmo ano, voltando do estúdio de gravação, em Nova York, foi abordado pelo “fã” Mark Chapman, que efetuou cinco disparos de revólver contra ele.A morte do cantor repercutiu em milhares de manifestações planeta afora e sua obra foi revisitada; o legado dos Beatles voltou com carga total, numa sequência de lançamentos que incluía discos, livros, documentários e material inédito.

Que história, não? Montamos uma playlist com os maiores sucessos de John e dos Beatles para que você possa curtir. Clique aqui e ouça agora!