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Vinil
05/01/2017

Olodum

Enquanto lê o post abaixo, ouça os grandes sucessos do Olodum clicando aqui.

O Olodum é um bloco afro fundado em 25 de abril de 1979, em Salvador/BA, como opção de lazer dos moradores do Maciel-Pelourinho. Também é uma ONG do movimento negro brasileiro, que desenvolve ações de combate à discriminação social e estímulo à autoestima dos afro-brasileiros.

Até os anos 1970, os grandes blocos do carnaval da Bahia eram compostos majoritariamente por brancos – a exceção ficava por conta do afoxé Filhos de Gandhy, criado por estivadores portuários de Salvador, em 1949. Para garantir a festa da população negra e enfrentar o racismo, em 1974, foi criado o Ilê Aiyê. Depois, outras comunidades produziram seus blocos, como o Malê Debalê (1979) e o Muzenza (1981), compostos majoritariamente por moradores dos locais em que surgiram.

Àquela época, o Pelourinho – referência à coluna de pedra instalada naquela região da cidade, que servira no passado ao castigo reservado a negros escravizados – havia perdido centralidade na economia da capital e, até os anos 1980, permaneceu estigmatizado como espaço de “marginais” – seus sobrados eram ocupados por famílias pobres e prostitutas.

VINIL DA SEMANA OLODUM PREFÁCIO

Os negros da Bahia fizeram da religiosidade e da música expressões de resistência, e o Olodum reuniu esses elementos em um projeto cultural e político contra o preconceito. Nos primeiros carnavais, foram muito criticados porque falavam do Egito. Não se entendia que o Egito é parte da África. E eles mostraram que Madagascar e Etiópia – países que produziram conhecimentos fundamentais, como a ciência e o alfabeto – também são África.

A bandeira da Etiópia (cultuada pelos jamaicanos) influenciou as cores pan-africanas, que por sua vez, deram origem às cores do Olodum. O símbolo hippie da paz, por sua vez, compõe o logotipo do grupo.

O primeiro LP da banda criada a partir do bloco, Egito, Madagascar, foi gravado em 1987 e alcançou sucesso em todo o Brasil com a música Faraó. Pouco depois, o Olodum passou a ser conhecido internacionalmente como grupo de percussão afro-brasileira e excursionou por muitos países da Europa, Japão e quase toda a América do Sul.

VINIL DA SEMANA OLODUM PREFÁCIO

Um dos momentos de maior exposição se deu em 1990, quando seus integrantes foram convidados a participar da faixa The Obvious Child, do disco The Rhythm of the Saints, de Paul Simon, cujo videoclipe foi gravado no Pelourinho e exibido em mais de cem países. Depois disso, o grupo gravou com outros músicos consagrados como Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ziggy Marley, Alpha Blondy, Yossur Noddour e Jimmy Cliff – que por muitos anos viveu em Salvador, onde nasceu sua filha Nabiyah Bashir.

Em 1996, o cantor pop Michael Jackson gravou junto com o Olodum a canção They Don’t Care About Us. Um clipe foi filmado pelo cineasta Spike Lee na Favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, e no Pelourinho. A partir daí, estava consolidada a fama mundial do grupo.

Ainda em 1996, o Olodum participou do álbum Roots, da banda de heavy metal mineira Sepultura. Já em 2013, fez um show no palco Sunset do Rock in Rio, a convite da cantora, compositora e instrumentista neozelandesa Kimbra. No ano seguinte, participou da gravação da música oficial e da abertura da Copa do Mundo de 2014, ao lado do rapper Pitbull e das cantoras Jennifer Lopez e Claudia Leitte.

Entre CDs e LPs, o grupo possui no currículo 25 álbuns gravados, a maioria deles no exterior, e já ultrapassou cinco milhões de cópias vendidas. Germano Meneghel (falecido em 2001) foi um dos principais compositores da banda, autor de Avisa Lá, Vem, Meu Amor e Alegria Geral. Neguinho do Samba e Mestre Jackson foram regentes da banda e responsáveis pela criação do ritmo samba-reggae, que deu ao grupo alguns de seus maiores sucessos, como o refrão Olodum tá hippie, Olodum tá pop / Olodum tá reggae, Olodum tá rock / Olodum pirou de vez. O presidente do Olodum é o advogado e mestre em Direito Público, João Jorge Rodrigues.

VINIL DA SEMANA OLODUM PREFÁCIO

Marcado pela presença intensa de uma percussão composta por tambores de diferentes tipos, tocados por cerca de 200 músicos, o samba-reggae mostrou tanta potencialidade que foi apropriado pelos blocos de trio elétrico. Nos anos 1990, bandas que mais tarde produziriam o que viria a ser chamado Axé Music incluíram instrumentos harmônicos, como a guitarra, e diminuíram a quantidade de percussionistas para que o ritmo não ficasse restrito aos trios, mas ocupasse as rádios e as prateleiras das lojas de discos.

Desde 1984, a Escola Olodum é um espaço de participação e expressão da comunidade afrodescendente, que se tornou referência pelo projeto inovador que envolve arte, educação e pluralidade cultural. Esse trabalho teve origem no projeto Rufar dos Tambores, composto de aulas gratuitas de percussão.

Tendo como critério de seleção a matrícula dos estudantes na rede municipal ou estadual de ensino, a escola se propõe a muito mais do que ensinar o toque do tambor. As atividades têm o objetivo de estimular o despertar da cidadania étnico-cultural das crianças e adolescentes atendidos. Além de terem acesso à música, eles também participam de seminários, oficinas de dança afro e de canto coral, além de aulas de informática.

Outro projeto iniciado em 1990, o Bando de Teatro Olodum, encenou contos e histórias africanas e projetou atores como Lázaro Ramos, Tânia Tôko e Jorge Washington Rodrigues, que participaram da montagem teatral e do filme Ó Pai, Ó, que virou série de televisão.

Dos artistas de expressão nacional que trabalham temas e sonoridades irmãs do Olodum destacam-se o Ara Ketu, Timbalada (dirigida por Carlinhos Brown) e Margareth Menezes, principalmente.