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Vinil
06/04/2018

THE ROLLING STONES

Os Rolling Stones começaram sua carreira em 1962 e se tornaram um dos principais responsáveis pela explosão do rock na década. Mick Jagger e Keith Richards se conheceram num trem e descobriram o interesse em comum pela música; depois disso, foram convidados pelo guitarrista Brian Jones a montar uma banda de rhythm & blues branca cujo nome foi extraído da canção Rollin’ Stone, do bluesman Muddy Waters (que cunhou a frase “Pedras rolantes não criam limo”). O baixista Bill Wyman entrou para o grupo pelo simples motivo de possuir mais de um amplificador, e Charlie Watts assumiu a bateria. O pianista Ian Stewart participava das gravações, mas não era um membro efetivo.

A boa repercussão das apresentações ao vivo, somada à habilidade promocional de seu empresário, Andrew Loog Oldham, levou a banda a um contrato com a Decca Records (então a piada do ano por ter recusado os Beatles). Seus primeiros singles são covers de canções de Chuck Berry e Muddy Waters, além de uma composição da dupla Lennon/McCartney, I Wanna Be Your Man. O primeiro álbum lançado foi The Rolling Stones, seguido de Out Of Our Heads (de 1965), ano em que gravaram um dos principais hits do rock em todos os tempos, (I Can’t Get No) Satisfaction.

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Duas mulheres foram importantes na trajetória do grupo nessa fase. Marianne Faithfull, menina de rostinho bonito, mas no fundo muito ousada – foi namorada de Mick Jagger e ficou com Keith Richards também. De origem aristocrática e dona de uma voz diferenciada, gravou algumas músicas inéditas da banda e foi inspiração para outras. Já Anita Pallenberg era filha de alemães e nasceu em Roma; namorou Brian Jones até o dia em que o trocou por Keith, quase causando uma fissão entre os guitarristas. Modelo, atriz, produtora cultural e designer de moda, era o tipo de mulher que saía pelo mundo com uma mochila nas costas e um cartão de crédito no bolso. Seu relacionamento com Keith durou até 1980 e tiveram três filhos, embora nunca tenham se casado – ela faleceu em junho de 2017.

Os Stones passaram a segunda metade dos anos 1960 criando e acompanhando tendências tanto no âmbito musical como comportamental. Flertaram com a psicodelia, mas se mantiveram fiéis ao R&B, só que explorando uma sonoridade mais carregada. São dessa época o hit Jumpin’ Jack Flash e a controversa Sympathy For The Devil – que Jagger disse ter sido inspirada por uma visita a um terreiro de candomblé.

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Jagger e Richards vieram ao Brasil em 1968 para passar férias com suas parceiras e ficaram hospedados numa fazenda em Matão (SP), propriedade do banqueiro Walther Moreira Salles. Causaram um auê na cidade (não porque fossem famosos, mas por serem exóticos) e aprenderam a afinação da viola caipira, que serviu de base para a canção Honky Tonk Woman.

Brian Jones, o mais maluco de todos, acabou expulso do grupo devido a suas constantes ausências (resultado de longas “viagens” de LSD), sendo substituído por Mick Taylor. Poucas semanas depois de sua saída, foi encontrado morto na piscina de sua casa em circunstâncias pouco esclarecidas, deixando em choque os amigos e o meio musical (ele foi um dos músicos dessa geração que morreu aos 27 anos, assim como Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison).

Depois de gravar o disco Let It Bleed, sucesso estrondoso de 1969, o grupo se apresentou em Altamont, na Califórnia, para uma grande plateia ao ar livre. O espetáculo foi inspirado pelo sucesso de Woodstock e resultou em uma tragédia. A segurança estava sob a responsabilidade dos Hell`s Angels de São Francisco, uma gangue de motoqueiros arrogantes que agredia qualquer um que tentasse subir no palco. Enquanto Mick Jagger pedia insistentemente para que todos se acalmassem, um rapaz negro foi esfaqueado e morto simplesmente por ter derrubado uma moto dos Angels. Tudo está registrado no filme Gimme Shelter.

Em 1971, a banda se mudou para a Atlantic Records, que lhes permitiu estrear o selo próprio, Rolling Stones Records. Lançado naquele ano, o LP Sticky Fingers teve a capa idealizada por Andy Warhol.  A foto de uma calça cujo zíper podia ser aberto marcou época não apenas pela originalidade e irreverência, mas por ter sido o primeiro álbum a mostrar o famoso logotipo da boca, criado por John Pasche.

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O álbum duplo Exile on Main St., de 1972,  é considerado por muitos o melhor da banda pela sua consistência, plasticidade e versatilidade revelada pelos músicos. Em 1974, eles gravaram o clássico It’s Only Rock’n’Roll, no estúdio de Ronnie Wood, que tocava com a banda inglesa The Faces, liderada por Rod Stewart. Com a saída repentina de Mick Taylor, que decidiu embarcar em uma carreira solo, Wood assumiu a segunda guitarra.

Em 1976, fizeram Black & Blue, um disco que flerta com o funk, o reggae e o jazz e conta com participações especiais. O álbum seguinte foi Love You Live, um duplo ao vivo, bastante heterogêneo. Em 1978, veio Some Girls, influenciado pelo movimento punk, embora seja mais lembrado pelo hit a la discotheque Miss You. Em 1980, Emotional Rescue foi gravado praticamente junto com Tattoo You, que seria lançado em 1981 – um fenômeno de vendas com o hit Start Me Up.

Com uma excursão americana no mesmo ano, os Stones inauguraram a moda de shows gigantescos, com duração de três horas, palcos móveis e toneladas de equipamentos. Fizeram o disco ao vivo Still Life (American Concert 1981) e o filme Let’s Spend the Night Together.

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No final de 1983, eles colocaram no mercado o álbum Undercover, mas, levando paralelamente projetos individuais, a banda passou a funcionar como uma empresa – seus membros se encontravam simplesmente para gravar. Em 1990, a turnê de Flashpoint trouxe os Stones de volta aos palcos depois de sete anos, escalando o Guns N’ Roses para a abertura dos shows.

Em seguida, o baixista Bill Wyman deixou o grupo, e Voodoo Lounge foi lançado com grande estardalhaço. Continuaram produzindo regularmente, com alguns lançamentos especiais: The Rock And Roll Circus (trilha sonora e vídeo de um especial para TV de 1968); Forty Licks (para comemorar 40 anos de estrada); A Bigger Bang (com um show gratuito nas areias de Copacabana, para um público recorde de 1,5 milhão); o filme The Rolling Stones Shine a Light, dirigido por Martin Scorsese, e o livro The Rolling Stones: 50.

Em 2016, a banda tocou em Cuba pela primeira vez e lançou Blue & Lonesome, um álbum recheado de covers de artistas de blues. O CD Rolling Stones On Air in the Sixties saiu em 2017 e reúne canções gravadas ao vivo na rádio BBC, entre 1963 e 1965.

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