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O jeito Prefácio
19/10/2017

Viagem ao interior da tragédia

O nosso Analista de Mídias Digitais Umberto Nunes foi até a cidade de Mariana. Ele conta um pouquinho do que viu por lá.

Mariana é uma cidade da região central de Minas Gerais. Foi a primeira capital do Estado, importante em muitos eventos da história mineira, e, mais recentemente, palco da maior tragédia ambiental já registrada no mundo: o rompimento da barragem de Fundão. Recentemente, a Fundação Renova, entidade criada para gerir e executar os programas e projetos elencados pelo Termo de Transação de Ajustamento de Conduta (TTAC) que estabeleceu diretrizes para a recuperação das áreas atingidas, convidou membros dos Comitês (CBHs) que compõem a Bacia do Rio Doce e do IBIO para participarem de uma visita às regiões . Eu representei a agência nessa ocasião, pois a Prefácio é a responsável pela comunicação destas Instituições.

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Nossa visita começou em 27 de setembro e se estendeu ao dia seguinte. Iniciamos o tour em uma reunião de apresentação dos resultados alcançados até o momento pela própria Renova. O envolvimento dos Comitês e o alinhamento de ações são importantes, uma vez que esses são os responsáveis pelas bacias desde muito antes da criação da Fundação.

 Regiões atingidas

Ao longo do nosso cronograma, pudemos visitar algumas regiões atingidas pelos rejeitos de mineração. A que mais chama a atenção é o distrito de Paracatu de Baixo, que pertence ao município de Mariana. Lá, era possível ver restos de casas que foram levadas pela lama. A concentração de rejeitos é tamanha que o que era o teto dessas casas hoje está na altura de nossa cintura.

Ver o impacto ambiental a olho nu assusta a quem, como eu, nunca havia visitado a região. É impossível não pensar na história que aquele lugar abrigou por tantos anos e no sofrimento de várias famílias que viram o que tinham ser destruído, embora não só de dores e lamentações vive quem sobreviveu à tragédia.

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Reconstrução

Os Comitês de Bacia atuam diariamente em prol dos rios daquela região. Há um esforço enorme por trás de cada ação, que busca aumentar a quantidade e melhorar qualidade de água disponível em cada manancial. A Fundação Renova chega, nesse cenário, com a meta de reverter os danos da tragédia e contribuir com o trabalho já desenvolvido pelos CBHs.

Confesso que, vendo pessoalmente o antes e o depois de muitas regiões após o trabalho de recuperação/reconstrução feitos lá, percebi como é o trabalho da Fundação e como as atividades estão se desenvolvendo. Um bom exemplo é Barra Longa.

A cidade foi soterrada pela lama e muitas áreas foram destruídas. A praça – que ficou imersa na lama – já foi totalmente reconstruída. Por fim, também tive a chance de ver como a natureza é incrível por si só, sendo capaz de regenerar boa parte da região afetada de forma natural.

A tragédia infelizmente aconteceu e não há nada que nós, pessoas físicas, possamos fazer a respeito disso. Resta confiar no trabalho ambiental e hídrico que já era feito na região e a esperança de que o episódio sirva de lição para que órgãos e entidades de fiscalização atuem com mais rigor, fazendo valer nossas leis ambientais e agindo, preventivamente, para que situações como essa não voltem a se repetir.