BLOG

← Voltar
Vinil
28/09/2018

MARINA

Por: Angelo Campos

Marina Correia Lima nasceu no Rio de Janeiro em 17 de setembro de 1955. Morou, da infância à adolescência, com a família nos Estados Unidos, onde estudou violão. Além de rock e soul music, ela ouvia Dolores Duran, Maysa, João Gilberto, Nara Leão e teve uma grande influência de Tom Jobim, depois que a bossa nova estourou por lá.

Sua primeira música gravada foi Meu Doce Amor, em 1977, cantada por Gal Costa no disco Caras e Bocas. No mesmo ano Maria Bethânia pretendia gravar Alma Caiada, mas a canção foi proibida pela censura, sendo feita depois por Zizi Possi.

Contratada pela WEA, lançou o disco Simples Como o Fogo, valendo-se da parceria com seu irmão, o poeta Antônio Cícero. Olhos Felizes saiu em 1980, um dos destaques foi Nosso Estranho Amor, que contou com a participação de Caetano Veloso.

Marina participou do especial Mulher 80 (Rede Globo). O programa exibiu uma série de entrevistas e musicais cujo tema era a mulher e seu papel na sociedade, nas vozes de Maria Bethânia, Fafá de Belém, Zezé Motta, Simone, Elis Regina, Joanna, Gal Costa, Rita Lee e a participação das atrizes Regina Duarte e Narjara Turetta, que protagonizaram o seriado Malu Mulher.

Nessa época, participou também do disco coletivo Arca de Noé, com temas infantis criados por Vinicius de Moraes e que haviam sido lançados como livro na Itália. Marina começou a chamar a atenção do público no especial feito para a televisão, interpretando a música O Gato.

Em Certos Acordes (1981), lançou o hit Charme do Mundo (trilha da novela Sétimo Sentido). O trabalho seguinte foi Desta Vida, Desta Arte, que traz as faixas Acho que Dá, Noite e Dia e Nos Beijamos Demais.

Seu quinto álbum, Fullgás, fez frente com bandas do novo rock Brasil e conquistou um público cativo. Nele está contida uma versão tecnopop de Mesmo que Seja Eu (de Roberto e Erasmo Carlos) e tornou-se um hit de grande impacto. Me Chama, composta por Lobão, também ganhava releitura elegante, e Pé na Tábua é uma versão para Ordinary Pain, de Stevie Wonder.

Todas é de 1985. A faixa Nada Por Mim foi composta por Paula Toller e Herbert Vianna, e Eu Te Amo Você é de Kiko Zambianchi. O lançamento seguinte, Todas ao Vivo, ganhou disco de platina – era de se esperar dada a quantidade de hits reunidos.

O álbum Virgem (1987) marca um novo ciclo com o hit Uma Noite e 1/2, e um disco mais conceitual, Próxima Parada, traz o sucesso À Francesa. Em 1991, ela usa seu sobrenome pela primeira vez no álbum Marina Lima, quando começa a compor mais sozinha. Grávida, O Meu Sim e Eu Não Sei Dançar são desse trabalho.

No período da criação de O Chamado (1993) e de seu próximo CD, Abrigo, Marina entra em depressão por causa da morte do pai e da separação de uma companheira. Ela estava com problemas nas cordas vocais, mas mesmo assim lançou Registros à Meia Voz, com versões de músicas de Paulinho da Viola, Zélia Duncan, Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Em 1998 é que se pode notar os danos causados à voz: Pierrot do Brasil é considerado um grande disco, mas é marcado por interpretações sussurradas.

Mais tarde, afirmou que seu problema foi devido a erro médico: “Me vi obrigada a lidar com uma limitação. Teve uma época na minha carreira em que eu me sentia uma cantora mesmo, fazia aula, acordava cantando e era assim o dia todo, a minha voz me fazia companhia. Hoje, comecei a mergulhar de novo no meu lado compositora, arranjadora e instrumentista.”

Em 2000 retornou aos palcos com Síssi na Sua, um grandioso espetáculo, com toque teatral. Depois lançou o álbum Setembro que, além de rock, tem uma pegada eletrônica. Nesse ano, No Escuro foi trilha sonora da novela O Clone, e Notícias, da novela Esperança. Em Agosto de 2006 lançou o CD Lá nos Primórdios, e caiu na estrada no ano seguinte com um novo show, o Topo Todas Tour, que é um apanhado de seus maiores sucessos complementado com canções inéditas.

Em 2011 ela se mudou para São Paulo, pois queria se sentir um pouco anônima, e lá compôs todas as canções do álbum Clímax – mas um hacker o postou na internet antes que ela terminasse a produção.

Em 2013 lançou o livro Maneira de Ser. Não é uma biografia, mas um apanhado de encontros, pensamentos e fotos: “Quando comecei as coisas não eram como agora, tinha pouca mulher compondo. Quando você é uma intérprete, ninguém te pede opinião de nada, mas quando você compõe, dá pitaco no próprio trabalho e tem opiniões sobre as coisas, existe uma cobrança em cima disso. Trabalhar num universo totalmente masculino foi meio barra. Músicos, jornalistas, editores de revistas, todo mundo já saía com a pauta pronta e encaixava você naquilo, eles não queriam te ouvir, mas falar de você.”

No final de 2015, Marina lançou o disco No Osso, registro ao vivo da turnê de voz e violão. Em fevereiro de 2018, lançou o single Só os Coxinhas, um funk carioca bem irônico que compôs com o irmão Antônio Cícero. Gravou um clipe no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, onde envolveu todo mundo que passava, pondo vendedores ambulantes e comerciantes pra dançar.

Agora é só curtir a playlist especial que criamos no Spotify, clicando aqui.