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Terceiro setor inspira ações de liderança e fomenta desenvolvimento territorial

O terceiro setor teve início no Brasil durante o século XVI, com a fundação da Santa Casa de Misericórdia de Santos, em 1543, que ainda hoje presta apoio assistencial e hospitalar, além de ser a primeira referência histórica de entidade da área no País. As organizações que formam o terceiro setor, sejam elas conhecidas ou anônimas, consolida-se a cada dia mais como essencial para a promoção de campanhas e ações que contribuem com comunidades em situação de vulnerabilidade. “A maioria de nós trabalha levando de forma simples e quase sempre invisível soluções que alimentam, aliviam dores físicas e psicológicas e trazem esperanças e certezas, não apenas de dias melhores mas também de vidas melhores”, comenta a analista de comunicação corporativa da Prefácio Marcelina Lúcia da Silva Liberato, idealizadora do projeto “Amigas, Vamos Combinar?” e membro participante do Programa Líder de Desenvolvimento Territorial da Regional Centro-Oeste e Sudoeste do Sebrae Minas.

O projeto “Amigas, Vamos Combinar?” foi criado para trabalhar o resgate da autonomia e da autoestima de pessoas do gênero feminino em seus mais diversos formatos de relacionamento.

 

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o Terceiro Setor brasileiro emprega 2,9 milhões de pessoas, em cerca de 820.400 organizações da Sociedade Civil no Brasil, mas, desse total, 83% das instituições não têm sequer um funcionário. “O que nos ajuda a levar nossos projeto adiante é o voluntariado. Uma pessoa que é auxiliada hoje torna-se um voluntário amanhã e, assim, a gente vai crescendo. É aquela união que realmente faz força e diferença”, explica Marcelina.

O projeto “Amigas, Vamos Combinar?” foi criado para trabalhar o resgate da autonomia e da autoestima de pessoas do gênero feminino em seus mais diversos formatos de relacionamento. “A gente cria debates sobre cidadania, relacionamento homem e mulher, mães e filhos, filhas e mães etc. Aqui, a gente fala sobre sexo, sexualidade, estética, beleza e, acima de tudo, sobre amar a si mesma para amar ao outro”. Marcelina, que mora em Divinópolis, também participa do “Projeto Borboletas”, criado pela líder comunitária Ana Paula Freitas, que visa dar apoio a mulheres em situação de risco, que sofrem violência doméstica e que têm problemas com álcool ou drogas na família. A jornalista ainda integra o “Chá das Pretas”, idealizado pela jornalista e cantora Yêda La Brunie, que trabalha o empoderamento da mulher negra, por meio de encontros e bate-papo acerca de diversos temas, como: a solidão da mulher negra, o mercado de trabalho, a estética etc.

O “Projeto Borboletas”, criado pela líder comunitária Ana Paula Freitas, que visa dar apoio a mulheres em situação de risco, que sofrem violência doméstica e que têm problemas com álcool ou drogas na família.

 

De acordo com a jornalista, Divinópolis é uma cidade onde o terceiro setor é muito forte, mas, ainda pouco reconhecido. Entre os inúmeros projetos, como “O Varal da Gentileza”, “Os Doutores Palhaços”, a “Associação de Combate ao Câncer”, o “SOS UPA”, e outros tantos que distribuem agasalhos, sorrisos, remédios, assistência social, alimentos e palavras de acolhida, é desenvolvido pelo Sebrae Minas o Programa Líder de Desenvolvimento Territorial.

Para o gerente da unidade de Ambiente e Negócios Empresariais do Sebrae no Paraná, Luiz Antônio Rolim de Moura, as ações realizadas por diversas frentes do terceiro setor são inspirações e prova viva de que a comunidade já tem a matéria prima, para fazer as coisas acontecerem a partir de lideranças. Ele defende que os resultados de muitos trabalhos realizados pelo terceiro setor são exemplos para que todos vejam que é possível e que vale a pena investir e acreditar nas pessoas. “O terceiro setor nada mais é do que a sociedade de forma pura, lutando por um dia melhor e pelo dia seguinte. O Sebrae respeita muito e acredita que os projetos, nos quais está envolvido, podem trazer mais inspiração e, principalmente, mostrar que não é soma de um balancete contábil que está o resultado, mas quando uma comunidade nas pessoas e luta por elas “, afirma.

A visita ao Paraná

Parte do grupo do Programa Líder do Sebrae Minas, do qual Marcelina Liberato também faz parte, visitou o Paraná nos dia 7, 8 e 9 de agosto, com o objetivo de conhecer práticas sustentáveis de desenvolvimento da região. No primeiro dia (7), o grupo saiu às 2 horas da manhã de Divinópolis rumo ao aeroporto de Confins com destino a Foz do Iguaçu. Chegando à cidade, visitaram o Sebrae local e conheceram os projetos e atividades que estão sendo realizados por lá.

No segundo dia, foi feita uma visita técnica ao Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), onde funciona um grande laboratório real para levar inovações aos municípios. “Conhecemos ideias e soluções para cidades inteligentes. Foi emocionante ver que é possível transformar ambientes e territórios em lugares mais atraentes, agradáveis e sustentáveis econômica e ecologicamente”, comentou Marcelina. O grupo seguiu para Cascavel, para participar do IV Encontro de Políticas Públicas do Oeste e Cantuquiriguaçu, que aconteceu no moderno prédio da Associação Comercial e Industrial de Cascavel. Os participantes foram direto para a tríplice fronteira: Barracão (PR) / Dionísio Cerqueira (SC) / Bernardo Irigoyen (Argentina) e foram recebidos pelo grupo do Programa Líder da Região da Fronteira, composto por 14 cidades dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e da Província de Misiones, na Argentina. “Foi uma honra estar na presença de tantas pessoas que têm em seus olhos e atitudes a vontade de fazer o melhor não só para si, mas para toda uma região. Saber que a rivalidade entre brasileiros e argentinos é só no futebol. Quando o assunto é o bem comum somos uma comunidade só”, observou o gerente do Sebrae Minas Regional Centro-Oeste Sudoeste, Leonardo Mól.

O Programa Líder de Desenvolvimento Territorial foi concebido no intuito de mobilizar e apoiar as lideranças para a efetivação das vocações e otimização dos recursos locais.

 

No terceiro dia, o prefeito de Barracão (PR), Marco Aurélio Zandona, apresentou as etapas do desenvolvimento de estratégias que estão implantando no município, há cerca de 10 anos, como o Consórcio Intermunicipal da Fronteira. A apresentação deixou o grupo mais pensativo quanto aos rumos que se pretende tomar no território do Centro-Oeste mineiro, após informações e pontuações muito valiosas para entender e refletir sobre as articulações, parcerias e comprometimento dos envolvidos: poder público, universidades e empresas.

Zandona explicou que para chegar onde estão hoje, não foi fácil e que ainda há muito por fazer, no entanto, muitas mudanças foram importantes. “A diferença principal que percebemos aqui foi a pulverização entre os empresários e os integrantes das ações. Conseguimos trazer pessoas que estavam alheias aos problemas públicos e comuns da cidade e elas deixaram de ser simples espectadores e passaram a ser partícipes das decisões e até dos trabalhos gerados pelo setor público”, esclareceu o prefeito. Representantes do Sebrae também expuseram os projetos desenvolvidos, como a Fronteira Cooperativa e o Sistema Regional de Inovação. Destaque para o senso de pertencimento que une os três municípios e o foco das pessoas para que os projetos desenvolvidos alcancem resultados positivos. A integração entre os municípios na Fronteira é um dos destaques. Existe um único Procon, um único Hospital Público e uma única Associação Comercial para atender aos três municípios.

De acordo com Antônio Rolim, todo programa de desenvolvimento territorial tem fortes componentes. “Primeiro, a articulação com o setor público no sentido do alinhamento dos projetos, das ações, da forma como ele conversa com a comunidade. É muito importante instalar na comunidade essa característica do diálogo aberto, da conversa franca, da desmistificação do ‘não é possível’, para o diálogo do ‘juntos nós podemos’. Esse é um trabalho que o Programa Líder faz com maestria e entrega como uma capacitação na área empresarial. O diálogo entre a comunidade e a parte pública é um dos pilares de sucesso do Programa”, esclarece o gerente.

De volta a Foz do Iguaçu, fez-se uma pequena reunião de avaliação das visitas, que será compartilhada no próximo encontro do Programa Líder, sobre percepções e ideias a serem desenvolvidas no plano de trabalho para o território do Centro-Oeste de Minas. “Percebo que essa equipe tem compreendido e abraçado mais a cada encontro a proposta de desenvolvimento a partir do diálogo entre lideranças e comunidades. Uma visita como essa, nos mostra que muita coisa é possível. Temos muitas ideias e vamos organizá-las, em conjunto, para colocar um plano de ação em funcionamento”, ressaltou Leonardo Mól.

Programa Líder

O Programa Líder de Desenvolvimento Territorial foi concebido no intuito de mobilizar e apoiar as lideranças para a efetivação das vocações e otimização dos recursos locais. Com ênfase nos pequenos negócios, visa promover a integração, a organização política e a qualificação das lideranças para a formulação, implantação e gestão, de forma empreendedora e participativa, das políticas de interesse público e regional. Propõe fortalecer o sentimento de regionalidade e d identidade regional, com foco no desenvolvimento dos pequenos negócios locais.

A metodologia desenvolvida pelo Sebrae prevê oito encontros. Dos três encontros que já aconteceram, foram convidados um palestrante que tiveram uma experiência de sucesso e que puderam inspirar todo o grupo. Dois ex-prefeitos já participaram e contaram como transformaram, positivamente, a realidade dos municípios onde foram gestores: Arnaldo Júnior, em Cabaceiras/PB, a “Hollywood nordestina”, e Sérgio Barros, Maringá/PR. No terceiro encontro, o grupo recebeu João Carlos Leite, de São Roque de Minas, que transformou aquela região desde que fundou uma cooperativa de crédito na cidade, arrecadando renda e mantendo a população no município.